O que se ouve quase como realidade absoluta é que a corrida é um esporte barato e democrático. E isso não deixa de ser verdade, já que para praticá-la o que é realmente necessário é uma roupa adequada, um par de tênis (se você não é daqueles que prefere correr descalço) e boa vontade.
Porém, alguns equipamentos que não fazem parte da lista dos indispensáveis podem ser úteis para quem quer dar um upgrade nas passadas, além de ter uma vida mais longa no esporte. O monitor cardíaco é um deles e serve para o atleta controlar melhor seu ritmo e a intensidade dos treinos, como explica Nelson Evêncio, diretor técnico da assessoria esportiva que leva seu nome.
“O frequencímetro é um grande aliado para que o corredor não ultrapasse os limites em treinos e provas e para que corra na intensidade certa, evitando um desgaste desnecessário ao organismo. Os que correm sem o aparelho, sobretudo em treinos e provas longas, muitas vezes sentem-se muito bem em um determinado ritmo, mas não sabem se estão ultrapassando seus limites cardíacos e só sentirão mais para frente, quando vier a fadiga”, afirma o treinador.
Mas como escolher o aparelho certo? Para Evêncio, as melhores opções para quem está começando na corrida são os fáceis de usar, e que indiquem o que o atleta realmente precisa saber. “Para os iniciantes o ideal é que o aparelho informe as medidas de frequência cardíaca e que tenha um alarme que avise quando o limite for excedido. O cronômetro também é algo importante para dosar o tempo de corrida, associado a intensidade determinada”.
Teste ergoespirométrico
É comum surgirem para os corredores, principalmente pelo crescimento da Internet como difusora do esporte, algumas fórmulas matemáticas que servem para calcular a frequência cardíaca máxima, como a 220 – idade = FCMáx. O uso delas, contudo, não é indicado, já que cada pessoa possui um organismo diferente e o resultado obtido pode não condizer com a realidade.
“O melhor mesmo é saber como funciona seu corpo individualmente, pois esta fórmula (dos 220 – idade) foi criada para ser usada de uma forma generalizada, ou seja, para a população em geral, abrangendo, na grande maioria, pessoas sedentárias”, afirma Adriano Bastos, atleta de elite e diretor técnico da Adriano Bastos Treinamento Esportivo.
“Assim, qualquer pessoa que pratique o mínimo de alguma atividade esportiva já foge desta regra, pois já apresentará um comportamento totalmente diferente em seus batimentos cardíacos de forma muito individual. Será muito mais econômico. É como se fosse o DNA esportivo de cada atleta, dificilmente encontraremos duas pessoas que apresentem o mesmo batimento cardíaco ao correrem juntas no mesmo ritmo”, completa o treinador.
É aí que entra teste ergoespirométrico (clique aqui e entenda mais sobre este e outros exames indicados para a corrida). Se a verdade é que cada indivíduo tem uma faixa diferente de batimentos, este exame indicará precisamente qual o seu limite. “Exatamente através deste teste que serão definidas as zonas de frequências cardíacas a serem trabalhadas em cada ritmo e zona de esforço, normalmente dividida em quatro pela grande maioria dos treinadores: muito leve, leve ou confortável, moderada e forte”, fala Bastos.
Fique atento
Mesmo que o exame já tenho sido feito e você saiba exatamente como funciona sua frequência cardíaca, alguns aspectos podem fazer com que os batimentos se alterem, como estresse, má alimentação e sono irregular. “É comum haver um aumento significativo dos batimentos cardíacos nestes casos. Dependendo do tipo de problema, o corredor deve ficar bem atento, sobretudo quando o ritmo é o mesmo de costume, mas os batimentos estão mais de cinco números acima”, explica Evêncio.
“O que mais vale é ter conhecimento de seu corpo e seguir o que está sentindo em termos de esforço, se está fácil, continue no ritmo normal, mesmo que o batimento esteja elevado, caso contrário, dali a pouco estará quase andando só para que o batimento fique na zona correta e com isso sairá totalmente do ritmo ideal de treino ou prova”, completa Adriano Bastos, que afirma ainda que o inverso também pode acontecer.
“O corredor tem a sensação de estar fazendo um grande esforço, correndo forte e o batimento se mantém baixo, é sinal de que o organismo e o corpo estão bem descansados, neste caso, siga a mesma regra, vá pela sensação de esforço, pois se já está num ritmo forte e os batimentos estão baixos, não pode acelerar ainda mais para que os batimentos subam e fiquem na zona correta de esforço”.